A 1ª Vara da Comarca de São João do Piauí decidiu submeter a julgamento pelo Tribunal do Júri um homem acusado de cometer um homicídio em plena praça pública no município de Capitão Gervásio Oliveira. O crime, que gerou forte repercussão na cidade, ocorreu no dia 5 de fevereiro deste ano de 2026, e foi noticiado à época aqui, na Alvorada FM.

De acordo com as investigações, a vítima, identificada como Renato de Jesus, foi atacada por volta das 16h45, enquanto estava em uma mesa de bar na praça principal da cidade, ingerindo bebida alcoólica junto ao acusado.

Durante o encontro, uma discussão — inicialmente banal — evoluiu rapidamente para violência. O acusado, identificado como José Afonso de Sousa, de 32 anos, teria desferido golpes de faca contra a vítima, caracterizando o uso de arma branca no crime.

Mesmo ferido, Renato ainda chegou a ser socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois de dar entrada na unidade de saúde.

Após o crime, o suspeito fugiu do local. Com a decretação da prisão preventiva pela Justiça, foi deflagrada uma operação policial que resultou na captura do acusado três dias depois na localidade Peador, zona rural do município de Simplício Mendes.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime teria sido motivado por ciúmes, o que contribuiu para o agravamento da discussão que culminou no homicídio. O acusado teria agido por ciúmes relacionados à sua companheira.

Durante a fase de instrução criminal, foram ouvidas diversas testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa, além do interrogatório do réu. Os depoimentos colhidos indicam a existência de indícios consistentes de autoria, bem como a materialidade do crime, comprovada por laudos periciais.

Ao analisar o processo, o juiz destacou que, nesta etapa, não cabe aprofundamento no mérito, mas apenas verificar se há elementos mínimos para levar o caso a julgamento pelo júri popular.

Na decisão, a magistrada reconheceu a presença de qualificadoras como o motivo fútil — em razão da desproporção entre a discussão e o resultado fatal — e o recurso que dificultou a defesa da vítima, ou seja, o uso de arma branca. A análise definitiva dessas circunstâncias, no entanto, caberá ao Conselho de Sentença, formado por cidadãos.

A Justiça também determinou que o acusado permaneça preso preventivamente. A decisão levou em consideração, entre outros fatores, o risco à ordem pública e o fato de testemunhas terem relatado medo diante da possibilidade de convivência com o réu em liberdade, além de menções a envolvimento anterior em conflitos.

Com a decisão, o acusado será submetido ao Tribunal do Júri, que terá a responsabilidade de julgar o caso e decidir, de forma soberana, sobre a condenação ou absolvição. O processo segue agora para a fase de preparação do julgamento.

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