São João se despede da Profª Espedita Alves, símbolo de dedicação e amor à educação

São João do Piauí se despediu, no último sábado, dia 1º, de uma de suas maiores educadoras: a Professora Espedita Alves das Mercês, nascida em 18 de abril de 1934, na fazenda Pé do Morro — hoje pertencente ao município de Campo Alegre do Fidalgo — filha de Ângelo Alves dos Santos e Maria Alves das Mercês.

Desde cedo, a Profª Espedita revelou amor pelos estudos, tendo sido alfabetizada pelo próprio pai. Depois estudou na escola de Adail Coelho Maia e, mais tarde, no Grupo Escolar Areolino de Abreu, onde se destacou pela dedicação e desempenho exemplar.

Sempre movida pela paixão pelo conhecimento, concluiria depois o Curso Normal na Escola Normal Profª Genésia Arraes, bem como o curso de Licenciatura Curta em Letras, no âmbito da Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário-CADES; e o de Aperfeiçoamento em Língua Portuguesa na Faculdade de Filosofia de Teresina.

Sua trajetória no magistério teve início em 1955, quando foi convidada pelo Padre Sólon para lecionar na Escola São João. Poucos anos depois, tornou-se parte inseparável da história do Ginásio Frei Henrique, onde foi professora, secretária, diretora e, sobretudo, alma e coração da instituição.

À frente do colégio, a Profª Espedita dedicou décadas à formação de gerações, conduzindo com firmeza, sensibilidade e espírito inovador a ampliação da escola, a capacitação dos docentes e a promoção de eventos culturais que marcaram a vida sanjoanense.

Paralelamente à função de diretora, a Profª Espedita continuava em sala de aula, ministrando a disciplina de português para as turmas da 5ª à 8ª série. Com a mesma dedicação e entusiasmo, lecionou também Matemática, Desenho, Geografia, Ciências e outras disciplinas sempre que foi necessário, demonstrando versatilidade, compromisso e amor pelo ofício de ensinar.

Com o passar dos anos, Profª Espedita transformou o Colégio Frei Henrique em um centro de convivência e de cultura. Realizou eventos que marcaram a história da escola e da cidade, especialmente a grandiosa comemoração dos 40 anos de fundação da instituição, que reuniu ex-alunos, ex-professores, famílias sanjoanenses e personalidades ilustres. Estiveram presentes Secretários de Estado da Educação, os diretores do Colégio Diocesano (Padre Alécio) e do Instituto Dom Barreto (Professor Marcílio), além do escritor, professor e amigo Cinéas Santos, que trouxe à celebração o brilho das artes e da cultura piauiense.

Em 2001, após a partida de seu grande amigo e companheiro de lutas, o Padre Sólon, a Profª Espedita não se deixou abater. Com fé, coragem e determinação, liderou a criação do Memorial Padre Sólon, erguido em homenagem ao sacerdote e educador que tanto inspirou sua caminhada. O memorial permanece como testemunho de sua gratidão e de sua dedicação à história da educação sanjoanense.

Mulher de fé profunda, exemplo de honestidade e competência, a Profª Espedita Alves das Mercês dedicou sua vida ao saber e à comunidade. Sem filhos biológicos, encontrou realização no amor e na educação dos filhos de São João do Piauí, e no carinho especial pelo sobrinho Marco Túlio Costa Caldas, a quem criou como filho.

Nas redes sociais várias pessoas prestaram suas homenagens à Professora Espedita. O professor Cinéas Santos, por exemplo, escreveu: “Há pessoas que estão de tal modo identificadas com o lugar onde vivem que se tem a impressão de que sempre estiveram ali e, para sempre, estarão ali. Era o caso da professora Espedita Alves das Mercês, uma cidadã, na acepção plena do termo. Não seria exagero afirmar que a Espedita era a melhor tradução de São João do Piauí: bonita, elegante, festeira, competente. Dedicou a vida inteira à educação dos são-joanenses. À frente do Colégio Frei Henrique, formou gerações que nunca esquecerão dos seus ensinamentos. Hoje (01/11/25), a “indesejada das gentes”, que não tem nenhum compromisso com as dores dos mortais, privou-nos da companhia da “imortal” Espedita Alves das Mercês. Decididamente, estamos mais tristes e muito mais pobre.”

Em nota, o Prefeito Ednei Amorim afirmou que “Dona Espedita foi um exemplo inspirador de amor ao ensino e à vida cristã, deixando marcas profundas na história de São João do Piauí e na formação de inúmeras gerações.”

A Alvorada FM se junta às homenagens feitas à Professora Espedida. São João do Piauí se despede de uma mulher que fez da educação o seu sacerdócio. Sua vida foi lição de trabalho, fé católica, generosidade e amor à terra. Que o seu legado permaneça vivo em cada aluno, em cada professor e nas paredes do colégio que ela ajudou a construir com tanto zelo e coração.

Prefeitura de São João do Piauí lança nova etapa do programa “Meu Sonho, Minha Casa”

A Prefeitura de São João do Piauí realizou, na última sexta-feira (31), o lançamento da nova etapa do programa habitacional “Meu Sonho, Minha Casa”. O evento aconteceu no Residencial Dudu Amorim e marcou o início da construção de mais 100 novas unidades habitacionais destinadas a famílias de baixa renda do município.

O programa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura, a Caixa Econômica Federal e o Minha Casa, Minha Vida, e tem como objetivo garantir moradia digna e acessível para quem mais precisa.

Durante o evento, o diretor do Departamento Municipal de Habitação, Zé Antônio, explicou que o público prioritário inclui mulheres solteiras com filhos, pessoas idosas, pessoas com deficiência, mulheres vítimas de violência doméstica, crianças e adolescentes, pessoas com câncer, pessoas negras, indígenas ou quilombolas, além de pessoas em situação de rua.

De acordo com ele, a distribuição das casas será feita de forma proporcional, garantindo prioridade a grupos em situação de vulnerabilidade: 3% das unidades serão destinadas a pessoas idosas, 10% a pessoas com deficiência, 50% a beneficiários do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC), e os 37% restantes ao público em geral.

Ao todo, serão realizados 130 cadastros para as 100 casas, sendo 30 deles reservas. O principal critério de seleção será o Cadastro Único para Programas Sociais, e, em caso de empate, terá preferência a família com maior número de crianças e adolescentes.

Poderão se inscrever pessoas que tenham o Cadastro Único ativo e atualizado, que não possuam imóvel próprio e que comprovem necessidade de moradia, como famílias que vivem de aluguel ou em condições precárias. A renda familiar mensal não pode ultrapassar R$ 2.850,00.

A secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Juliana Sena, destacou que a meta do programa é alcançar 500 casas construídas no município e informou que as inscrições estarão oficialmente abertas a partir do dia 10 de novembro.

A partir dessa data, será disponibilizado um link nos canais oficiais da Prefeitura para que os interessados possam realizar a inscrição de forma online. Quem preferir, poderá se inscrever presencialmente no Departamento Municipal de Habitação, localizado em frente à Clínica de Saúde da Criança e da Mulher, com atendimento somente no turno da manhã.

O prefeito Ednei Amorim anunciou, durante o lançamento, que está viabilizando a construção de mais 100 casas em uma nova etapa do programa. Além disso, ele adiantou que os servidores efetivos do município também serão contemplados em um projeto habitacional que está em andamento.

Outra novidade anunciada pelo gestor é a criação de um loteamento nas proximidades do Residencial Dudu Amorim, onde serão disponibilizados entre 100 e 150 lotes para pessoas que não conseguirem ser contempladas com as casas nesta fase.

Para se inscrever, os interessados devem apresentar RG, CPF, comprovante de água ou luz, certidão de nascimento dos filhos, certidão de casamento ou declaração de união estável, documentos do companheiro ou companheira e comprovante de renda.

Com o slogan “Se você tem um sonho, a gente corre atrás!”, o programa “Meu Sonho, Minha Casa” reafirma o compromisso da gestão municipal em promover inclusão social, cidadania e moradia digna para as famílias de São João do Piauí.

Justiça mantém prisão preventiva de acusado de agredir ex-namorada em São João do Piauí

A juíza Carmelita Angélica Lacerda Brito de Oliveira, titular da 1ª Vara da Comarca de São João do Piauí, decidiu manter a prisão preventiva de J. P. D. O., acusado de agredir fisicamente sua ex-namorada em um episódio de violência doméstica ocorrido em 17 de agosto de 2025, nas proximidades do “Bar do Pedrinho”, no município de São João do Piauí.

A decisão foi proferida após reanálise determinada em habeas corpus, no qual o Tribunal de Justiça havia solicitado ao juízo de origem que examinasse novamente as preliminares e teses da defesa apresentadas na resposta à acusação.

Segundo a acusação do Ministério Público do Estado do Piauí, o réu J. P. D. O., inconformado com o término do relacionamento de aproximadamente um ano, abordou a vítima em via pública enquanto ela deixava o local acompanhada de um amigo. De forma repentina, ele teria desferido um soco no rosto da vítima, atingindo o olho direito e quebrando seus óculos, conforme boletim de ocorrência e laudo de exame de corpo de delito.

A vítima, ferida e sangrando, tentou fugir para evitar novas agressões, mas o acusado continuou a persegui-la, sendo contido apenas pela intervenção da tia da ofendida. Após o ocorrido, ele fugiu do local em uma motocicleta.

Na resposta à acusação, a defesa de J. P. D. O. sustentou inépcia da denúncia, ausência de justa causa para a ação penal, falta de fundamentação na decisão de recebimento da denúncia e pedido de revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares alternativas.

A juíza rejeitou todas as preliminares, destacando que a denúncia atende aos requisitos legais do Código de Processo Penal (CPP), apresenta descrição clara dos fatos e está fundamentada em provas iniciais consistentes, como o boletim de ocorrência, o exame de corpo de delito e o depoimento da vítima, além de testemunhos que corroboram a versão dos fatos.

Ao reavaliar o pedido de liberdade, a magistrada concluiu que permanecem presentes os requisitos para manutenção da prisão preventiva, com base no Codigo de Processo Penal e na Lei Maria da Penha.

Segundo a juíza, o crime imputado — lesão corporal qualificada por razões da condição do sexo feminino, em contexto de violência doméstica e familiar — é punido com reclusão de 2 a 5 anos, o que atende ao requisito objetivo para a medida.

A magistrada ressaltou que a forma violenta e repentina da agressão, o risco de reiteração delitiva e o perigo concreto à integridade física e psicológica da vítima justificam a manutenção da custódia cautelar.

Em sua decisão, a Juíza destacou: (Abre aspas) “A conduta do acusado revela elevado grau de periculosidade concreta e absoluto descontrole emocional, demonstrados pela forma súbita e violenta da agressão e pela insistência em causar dano, sendo contido apenas por terceiros”. (Fecha aspas)

Ela acrescentou que medidas alternativas, como proibição de contato com a vítima ou monitoração eletrônica, seriam insuficientes para garantir sua proteção, considerando o histórico de conflitos e o comportamento agressivo do réu.
(Abre aspas) “Em casos de grave violência doméstica, tais medidas, quando aplicadas isoladamente, não neutralizam o perigo concreto que a liberdade do agressor representa. A prisão preventiva é necessária, adequada e proporcional para assegurar a integridade da vítima e a ordem pública”, afirmou a juíza Carmelita Angélica.

Com isso, a Justiça manteve a prisão preventiva de J. P. D. O., entendendo que não há fato novo capaz de justificar a revogação da medida.

MP reconhece como regular a nucleação da Escola Viturino Tavares feita pela Prefeitura de João Costa e arquiva procedimento

O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio da Promotoria de Justiça de São João do Piauí, reconheceu como regular o processo de nucleação da Escola Viturino Tavares, localizada na comunidade Cambraia, zona rural do município de João Costa, e decidiu arquivar o Procedimento Administrativo nº 27/2025.

O procedimento havia sido instaurado após um abaixo-assinado de moradores reclamar da possibilidade de fechamento da unidade, com receio de prejuízos aos alunos e servidores. Em resposta ao Ministério Público, a Prefeitura de João Costa, por meio da Secretaria Municipal de Educação, apresentou um plano estratégico de reestruturação da rede de ensino, que incluiu a nucleação da escola por conta do baixo número de matrículas.

De acordo com a gestão, os estudantes da Escola Viturino Tavares foram transferidos para outra unidade com melhor estrutura, situada na zona urbana e distante apenas 6 km da comunidade, com transporte gratuito assegurado pelo município. A Prefeitura também encaminhou atas de reuniões com pais e professores, além de parecer técnico e manifestação do Conselho Municipal de Educação, favorável à medida.

Após analisar os documentos, a promotora de Justiça Gianny Vieira de Carvalho concluiu que a decisão da administração municipal foi legítima, dialogada e observou os trâmites legais, destacando o compromisso da Prefeitura com a melhoria do ensino e a adesão ao Programa Escola em Tempo Integral, que visa ampliar a jornada escolar e fortalecer o aprendizado.

Segundo a promotora, “ainda que haja pequena resistência de parte dos moradores, os benefícios pedagógicos e estruturais da medida, especialmente a médio e longo prazo, devem ser considerados”.

Com isso, o Ministério Público entendeu que não há irregularidades na atuação da Prefeitura de João Costa e determinou o arquivamento do procedimento.

Apesar do encerramento do caso, o Ministério Público recomendou ao município que mantenha transporte escolar adequado, com monitor responsável pelo acompanhamento das crianças, de modo a garantir segurança e conforto no deslocamento até a nova unidade.

A decisão reforça o reconhecimento do MP à regularidade da nucleação escolar promovida pela Prefeitura e à importância do planejamento participativo nas políticas públicas de educação, assegurando que as mudanças ocorram sem prejuízo ao direito dos alunos da zona rural de João Costa.