Aeroporto Serra da Capivara pode ser rebatizado com o nome de Niède Guidon

O Aeroporto Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, poderá receber o nome da arqueóloga Niède Guidon. A proposta partiu do prefeito Rogério Castro, que pediu ao deputado estadual Gil Carlos a apresentação de um requerimento oficial com a mudança.
Aeroporto de São Raimundo Nonato – Wikipédia, a enciclopédia livre

A homenagem reconhece o papel fundamental de Niède na história do Piauí e do Brasil. Ela foi uma das maiores defensoras da construção do aeroporto, sonhando com o fortalecimento do turismo na região da Serra da Capivara e o acesso facilitado ao Parque Nacional, que abriga um dos maiores acervos arqueológicos das Américas.

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Além da defesa pública, a cientista também destinou recursos e mobilizou esforços para que o aeroporto saísse do papel, mostrando compromisso com o desenvolvimento local.

Com a proposta, o nome passaria a ser Aeroporto Internacional Niède Guidon — uma homenagem justa a quem tanto fez pela arqueologia, cultura e patrimônio do nosso sertão.
Morre aos 92 anos Niède Guidon, defensora da Serra da Capivara em São  Raimundo Nonato

Vereador Zé Guinguirro (MDB) solicita abastecimento de água para comunidade rural de São João do Piauí

Durante a 18ª sessão ordinária da Câmara Municipal de São João do Piauí, realizada na última segunda-feira (02), o vereador José Joaquim de Araújo, o Zé Guinguirro (MDB), apresentou uma indicação solicitando medidas urgentes para garantir o abastecimento de água na zona rural do município.

A solicitação é voltada ao trecho que vai da Localidade Jacu até a Casa das Neves, também conhecida como Cléber. Segundo o parlamentar, os moradores da região enfrentam sérias dificuldades para acessar água, o que tem comprometido a qualidade de vida das famílias.

Zé Guinguirro reforçou a necessidade de intervenção do poder público, destacando a importância de atender à demanda com agilidade para minimizar os impactos enfrentados pela população rural.

Ex-deputado Paes Landim lamenta morte e destaca legado de Niède Guidon para o Piauí e região

Amigo pessoal da arqueóloga Niéde Guidon, o ex-deputado apoio e acompanhou de perto a trajetória transformadora da cientista no Piauí. Em nota, Paes Landim relatou a importância de Niéde Guidon para a ciência e a inserção do Piauí no cenário internacional do turismo ambiental, cultural, histórico e arqueológico.

Afirma o ex-deputado Paes Landim: “Profundamente emocionado, tomei conhecimento nesta manhã, da triste notícia da morte da minha querida amiga Niéde Guidon, ícone da arqueologia mundial, que lutou e criou o mais belo e importante Parque Nacional da preservação do único bioma rigorosamente nacional, o da caatinga. Durante meus 32 anos de mandato parlamentar, um dos meus maiores feitos foi a dedicação à luta de Niede Guidon na consolidação e preservação de um dos maiores patrimônios culturais da humanidade. Não consigo interpretar a minha imensa dor pela perda da maior amiga da minha vida, fonte do meu eterno orgulho”.

O último encontro entre Niède e Paes Landim ocorreu há cerca de 6 meses. O deputado registrou esse encontro em suas redes sociais e, naquela ocasião, escreveu: “Foi com a maior alegria que revi, no mês passado a querida Niède Guidon, uma pessoa extraordinária que aprendi a admirar, a partir dos anos 90. Li, na ocasião, numa revista francesa a sua entrevista sobre o Parque Nacional Serra da Capivara, criado por ela após muita luta. A seguir, o Jornal “Correio Brasiliense” dava conta da sua conferência na Aliança Francesa. Fui assisti-la, onde ela expôs toda a sua luta para a criação e manutenção do Parque.

“Em homenagem a Niède, através de emenda orçamentária de minha autoria junto ao Ministério do Turismo, foi construído o Aeroporto de São Raimundo Nonato, um dos mais belos do Brasil. Também consegui implantar um campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco em São Raimundo Nonato e o primeiro curso de arqueologia. Toda a atual construção do campus foi decorrente de emendas orçamentárias de minha autoria. Niède é um monumento, o Piauí não tem ideia do que ela representa atualmente e no futuro.”

Placa em homenagem ao ex-deputado na entrada do Museu do Homem Americano

Niède Guidon: A arqueóloga que fez da Serra da Capivara um território de mulheres fortes

Além de revelar ao mundo os vestígios mais antigos da presença humana nas Américas, a arqueóloga Niède Guidon deixou um legado que vai muito além da ciência. Em sua trajetória como diretora do Parque Nacional da Serra da Capivara, no semiárido piauiense, ela transformou vidas, sobretudo de mulheres, promovendo uma verdadeira revolução silenciosa no interior do Brasil.

Niède, falecida hoje, foi pioneira ao adotar práticas que hoje são vistas como políticas públicas essenciais, mas que, à época, nas décadas de 1980 e 1990, nasciam de sua própria sensibilidade social. Ao formar as equipes que atuariam no parque — desde serviços gerais, manutenção, guias e oficinas de cerâmica — a arqueóloga fez questão de dar prioridade à contratação de mulheres. Muitas delas eram chefes de família, viúvas de maridos vivos, que haviam abandonado suas terras em busca de trabalho em grandes centros urbanos como São Paulo e Brasília, deixando para trás lares, esposas e filhos.

Essas mulheres, frequentemente invisibilizadas e sobrecarregadas, encontraram no projeto de Niède não apenas uma fonte de renda, mas também reconhecimento, dignidade e autonomia. A franco-brasileira que escolheu o sertão piauiense como missão de vida compreendia que o desenvolvimento local não se faz apenas com preservação ambiental e pesquisa acadêmica, mas com justiça social e inclusão.

Mais do que contratar, Niède capacitou. Incentivou a formação profissional, promoveu oficinas, buscou qualificação para as equipes e apoiou o desenvolvimento de cooperativas e iniciativas autossustentáveis — como a tradicional cerâmica em Coronel José Dias e as ações da Fundação Museu do Homem Americano. Seu olhar era o de quem sabia que o verdadeiro patrimônio a ser preservado incluía também as pessoas.

Num país em que o empoderamento feminino ainda enfrenta tantos obstáculos, a arqueóloga se mostrou muito à frente de seu tempo. Ao valorizar mulheres esquecidas pelos sistemas tradicionais de emprego, Niède não só as integrou ao seu projeto como as tornou protagonistas de uma nova história — a história viva de um Brasil profundo e resiliente.

Hoje, ao reverenciarmos a trajetória dessa guardiã do tempo, reconhecemos também a força das mulheres que ela ajudou a erguer. Mulheres do sertão, de mãos firmes e vozes antes silenciadas, que agora ecoam na memória de uma nação inteira, graças ao compromisso inabalável de Niède Guidon com a ciência, a cultura e a transformação social.