A instalação da planta industrial da Brazilian Nickel, que vai produzir níquel e cobalto em Capitão Gervásio Oliveira, vai demandar um investimento estimado em US$ 1,4 bilhão de dólares — o equivalente a mais de R$ 7 bilhões de reais. O empreendimento, batizado de Projeto Piauí Níquel, teve seu início de operações adiado de 2026 para 2029.

Na semana passada, diretores da empresa se reuniram com o governador Rafael Fonteles e representantes da Investe Piauí para apresentar a atualização do projeto. Quando estiver em funcionamento, a planta deverá produzir cerca de 27 mil toneladas de níquel e 1 mil toneladas de cobalto por ano, gerando aproximadamente 3.500 empregos diretos e indiretos no pico das obras.

Neste momento, a Brazilian Nickel tem buscado fontes de financiamento. A Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos, agência do governo norte-americano que apoia projetos no mundo com potencial de desenvolvimento, já indicou a disposição para aportar até US$ 550 milhões de dólares, cerca de 40% do total necessário.

Essa carta não é o dinheiro liberado ainda, mas é uma sinalização oficial de interesse e apoio, o que facilita negociações com outros financiadores. O financiamento faria parte de um programa dos Estados Unidos que investe em cadeias de suprimento de minerais estratégicos — como o níquel e o cobalto — para garantir que os EUA e seus aliados tenham acesso a matérias-primas importantes, reduzindo dependência de fornecedores de outros países. Não se sabe, entretanto, como a crise nas relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos poderiam eventualmente impactar o projeto, especialmente se houver bloqueios financeiros ou restrições comerciais.

Na reunião realizada no Palácio de Karnak, a Diretoria da Piauí Níquel também destacou que seu projeto foi recentemente selecionado em uma chamada pública do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, que apoia setores estratégicos para a transição energética. O projeto está entre os 56 aprovados para a próxima fase, que definirá o valor do aporte.

Além do financiamento, a Brazilian Nickel assinou memorandos de entendimento com empresas da Alemanha e da França ligadas à produção de baterias para veículos elétricos. Os contratos, com prazo mínimo de dez anos, preveem o fornecimento de toneladas de níquel e cobalto por ano. Esses memorandos fortalecem o peso do projeto nas negociações de financiamentos. Quando o investidor vê que já existem contratos de longo prazo com empresas europeias, entende que há mercado garantido e risco reduzido.

Dessa forma, a situação atual nos permite afirmar que a Brazilian Nickel concluiu a fase de pesquisas e testes, validando a viabilidade técnica e econômica do projeto por meio de uma planta de demonstração. Agora, o avanço para a etapa de produção em larga escala depende fundamentalmente da captação de recursos que viabilizem a instalação da planta industrial prevista no Projeto Piauí Níquel, ou seja, da captação de cerca de R$ 7 bilhões de reais.

A Brazilian Nickel é uma empresa privada sediada no Reino Unido, fundada em 2013, com o objetivo de desenvolver projetos de extração de níquel em todo o mundo, começando pelo seu principal empreendimento: o Projeto Piauí Níquel, no município de Capitão Gervásio Oliveira. Além do projeto no estado do Piauí, a empresa conta com um escritório corporativo em Belo Horizonte(MG).

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