O Brasil enfrenta uma escalada preocupante nos índices de obesidade. Dados recentes da pesquisa Vigitel apontam que a prevalência da doença cresceu 118% entre 2006 e 2024, atingindo 25,7% da população adulta — o equivalente a 1 em cada 4 brasileiros. Quando considerado o sobrepeso (IMC acima de 25 kg/m²), o percentual chega a 62,6%.
No Piauí, o cenário acompanha essa tendência. O estado apresenta 29,5% de adultos com obesidade, índice acima da média nacional da Vigitel. E quando observamos a realidade regional, os números reforçam o sinal de alerta.
Situação nos municípios da região
Em São João do Piauí, o índice total de obesidade é de 27,37%. Desse total:
18,75% correspondem à Obesidade Grau I (IMC entre 30 e 34,9);
6,18% à Obesidade Grau II (IMC entre 35 e 39,9);
2,44% à Obesidade Grau III (IMC acima de 40).
Em Pedro Laurentino, o percentual é ainda maior: 28,6% da população adulta apresenta obesidade. A distribuição é:
20,2% (Grau I);
5,8% (Grau II);
2,6% (Grau III).
Já em João Costa, o índice total é de 26,49%, sendo:
18,46% Grau I;
6,56% Grau II;
1,47% Grau III.
Em Nova Santa Rita, o percentual chega a 26,06%, com:
16,74% Grau I;
6,67% Grau II;
2,65% Grau III.
E em Campo Alegre do Fidalgo, o índice registrado é de 26,86%, distribuído em:
19,49% Grau I;
5,92% Grau II;
1,45% Grau III.
Os dados mostram que, em todos os municípios analisados, aproximadamente 1 em cada 4 adultos vive com obesidade, cenário que exige atenção das políticas públicas locais.
Brasil acima da média mundial
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 16% dos adultos no mundo têm obesidade e 43% apresentam sobrepeso. O Brasil, portanto, está acima da média global.
Além da Vigitel — que ouve moradores das capitais — dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), com base nos atendimentos da Atenção Primária do SUS, indicam um quadro ainda mais grave: 36,3% dos adultos atendidos tinham obesidade em 2025, e 70,9% estavam acima do peso.
Especialistas apontam que a obesidade é uma doença multifatorial. Entre os principais fatores está a mudança no padrão alimentar, com redução do consumo de alimentos tradicionais — como arroz, feijão, frutas e verduras — e aumento dos ultraprocessados, como salgadinhos, bolachas e refeições prontas.
A própria Vigitel mostra que o consumo de feijão cinco vezes por semana caiu de 66,8% em 2007 para 56,4% em 2024. Ao mesmo tempo, 25,5% dos brasileiros consomem cinco ou mais grupos de ultraprocessados por dia.
Sedentarismo e sono ruim agravam quadro
A pesquisa também revela que menos da metade da população (42,3%) pratica atividade física no lazer. Apenas 12% fazem exercício no deslocamento diário. Outro fator novo investigado foi o sono: 20,2% dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% relatam sintomas de insônia — condições que favorecem alterações hormonais relacionadas à fome e à saciedade.
Desafio para a saúde pública
Para especialistas, o avanço da obesidade reflete falhas nas políticas públicas de prevenção e promoção da saúde. No contexto regional, os números de São João do Piauí e municípios vizinhos reforçam a necessidade de ações integradas, envolvendo educação alimentar, incentivo à atividade física e fortalecimento da atenção básica.
A obesidade não é apenas uma questão estética — trata-se de um fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão e diversos outros agravos. O enfrentamento do problema passa por mudanças individuais, mas também por políticas públicas eficazes.

