A escassez de água para o abastecimento humano e animal tem sido um problema recorrente em toda a região de São João do Piauí. Em meio a esse cenário, a Barragem Jenipapo se mantém como um verdadeiro oásis no semiárido, embora seu potencial ainda seja subaproveitado, tanto no abastecimento urbano, que continua irregular, quanto na agricultura irrigada, que avança de forma gradual.
De acordo com dados oficiais do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), obtidos pela Alvorada FM via Lei de Acesso à Informação, o volume acumulado do reservatório apresentou queda constante nos últimos meses.
Em agosto, o reservatório acumulava 173,6 milhões de metros cúbicos de água, o que representava 70% da capacidade total. No mês seguinte, setembro, o volume caiu para 160,7 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 64,8%.Já em outubro, o nível baixou ainda mais, chegando a 149 milhões de metros cúbicos, o que corresponde a 60,08% do total da barragem.Em apenas dois meses, a redução foi de 10 pontos percentuais, o que representa uma perda de cerca de 24,6 milhões de metros cúbicos de água.
Atualmente, a vazão liberada é de aproximadamente 0,400 m³/s, o que equivale a 1,04 milhão de metros cúbicos de água por mês, correspondendo a cerca de 20% da capacidade máxima de descarga do sistema. Essa liberação, segundo técnicos, é considerada necessária para manter o equilíbrio ambiental e o abastecimento das comunidades a jusante, sem comprometer a segurança hídrica do reservatório.
O Açude Jenipapo possui, no entanto, diversas outorgas concedidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), entre elas:
a destinada ao abastecimento público de São João do Piauí, cuja nova adutora foi recentemente inaugurada, ainda operando parcialmente com o uso de geradores;
a Adutora Padre Lira, que atende o município de Dom Inocêncio;
e outras outorgas, voltadas a atividades industriais e de mineração, como a da Piauí Níquel Metais.
Outro destaque é o Projeto de Irrigação Marrecas–Jenipapo, executado pela Codevasf, que já recebeu investimentos superiores a R$ 50 milhões e encontra-se cerca de 90% concluído. O empreendimento deve irrigar inicialmente cerca de 1.000 hectares, abrindo novas perspectivas de desenvolvimento agrícola e geração de renda no Vale do Rio Piauí.
Com o avanço dessas captações e o crescimento das demandas locais, aumenta também a preocupação com a sustentabilidade hídrica da barragem. O desafio é garantir que o uso da água se mantenha tecnicamente controlado e ambientalmente equilibrado, assegurando o abastecimento humano prioritário e o uso racional dos recursos hídricos em um dos territórios mais sensíveis do semiárido piauiense.

